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25 dezembro 2011

Tristeza e depressão no Natal e Ano Novo

Natal e Ano Novo são comemorações que a princípio, trazem alegrias e esperanças. A expectativa é farta nessa época do ano. Há pessoas que não se sentem bem neste momento, quando chega o mês de Novembro já começam a sentirem-se desanimadas como se esperassem o pior. São retidas por sentimentos de tristeza, ansiedade, melancolia, insegurança, e até depressão. As que estão em depressão e os mais idosos requerem uma maior atenção nessa época.

Normalmente, quando se passam as festividades, os sentimentos diluem e se retoma o “equilíbrio” anterior. E porque será esse sentimento contraditório inunda-as, a ponto de adoecerem e se isolarem, enquanto a massa deleita em contentamento e confraternizações?

O melhor entendimento reflete a história pessoal de vida de cada individuo, seus valores, crenças e a percepção que fixou em cada momento vivenciado, porém, trago algumas situações pertinentes a este momento, lembrando, é claro, a sobredeterminação da causa.

Sempre se usa a medida interna para se relacionar com as mensagens que o exterior envia, ou seja, capto aquilo que o exterior envia e avalio com algo que já vivenciado, percebendo o feedback positivo ou negativo, para depois exteriorizar em forma de opiniões e sentimentos - valores éticos, morais e as crenças estão contidas.

Invariavelmente essas festas remetem a história infantil e faz rememorar os sentimentos vivenciados naquela época. Pessoas existem que nessa etapa passaram por sofrimentos, dificuldades financeiras graves, abandono, perdas de objetos amados, e não conseguiram superar, a dor da ausência ainda as martiriza. É a dor do luto. O "bom velhinho" pode não ter trazido o presente idealizado - se é que trouxe - pode não ter sido tão espetacular quanto gostaria ou como um amigo ganhou; não ter o tão sonhado Natal que são veiculados na televisão e revistas sociais, com mesas e roupas luxuosas, os melhores brinquedos, comida farta, viagens paradisíacas, família completa e unida. Os sonhos não realizados em qualquer fase da vida podem tornar-se uma fonte inesgotável de tristeza e reclamações.

Reencontrar-se com o passado, quando não saboroso, entristece.

Essas festas, especialmente o Natal, resgatam a relação familiar e a reflexão sobre ela. A ausência de um familiar que não mais se encontra próximo e era arrimo de afeto, registra marcas contínuas quando não dissolvidas adequadamente.  Reencontros com parentes nas festas, onde muitas vezes, não se provém a estima verdadeira, ou que se deveria sentir – socialmente falando - de um irmão, uma irmã, uma mãe, um pai, a parentela. A ambigüidade de sentimentos, amor e ódio, que nutrimos sobre determinados objetos afetivos são a causa de uma totalidade enorme de neuroses.

Essa ambigüidade também pode ser sentida em cada um, já que nestas datas proclama-se a solidariedade e a fraternidade.  É um momento de doação, de entrega, de uma dose de desmaterialização em detrimento ao outro. Socialmente não basta comprar presentes para a família e para si, tem que ser espontâneo e entregar aos “pobres e necessitados”. Há quem não consiga - ou não possa e gostaria - fazer esse movimento de doação e entrega “espiritual” de forma espontânea, sendo invadido por sentimentos de culpa e punição. Esse sentimentos –  que podem ser  inconscientes –   suscitam  a depreciação e desmerecimento em desfrutar as festas.

Outra fonte de angústia e pesares neste tempo ocorrem na percepção do balanço anual das metas atingidas – esse parece ser também um campo vasto de decepções. Os enganos começam nas expectativas que fazem. As deixam  altas demais – e tem motivos intrínsecos por agirem assim – projetando-as em situações que independem de si , em outras que não se afinizam com os potenciais pessoais, ou ainda, deixam a mercê de que algum “milagre” as realize. Há também as metas que fazem e vão empurrando para o dia 1º de Janeiro, depois do Carnaval, depois da Páscoa, depois da férias... quando chega o fim do ano, o fracasso é traiçoeiro, sentem-se incapazes, inapropriados e com culpa, por mais uma ano desperdiçado.

Nessas ocasiões de apelo cultural para o bom e o belo, as comparações com as construções pessoais e metas alcançadas trazem momentos difíceis de suportar. O isolamento, o mal humor, as fugas frenéticas para substâncias que anestesiem, aliviem e entorpeçam infelizmente são comuns.

Os sentimentos de ausência dos que não mais estão ao convívio diário, a não realização dos sonhos infantis são naturais, seja menos nostálgico e saudosista, se permita sentir triste no Natal e Ano Novo, mas não a alimente mais. Essas festas trazem o simbólico da renovação, da fertilização, da esperança e da alegria. Abra espaço em seu coração e vá renovando sua percepção.

Quanto aos projetos, a melhor opção é a de colocar as metas dentro da realidade, nada extraordinário, e não realizar mudanças radicais de um ano para outro. Assuma a responsabilidade das escolhas que faz pela sua vida. Se escolher algo que depois deu errado use para amadurecer a sua próxima escolha. Se colocar na posição de vítima ou se consumir pela culpa, a tendência – e é bem forte – é que repita o mesmo padrão anterior. Se precisar procure ajuda.

Aproveite o brilho das festas e deixe seus olhos brilharem novamente!

Forte Abraço!!!

Adilson Costa
Psicanálise & Terapia
ANEP 1133
adilsonncosta@gmail.com

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