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31 outubro 2012

O que mais aprendi na vida...


O que mais aprendi da vida é...

que enquanto eu esperar nada acontece;

que amor e desejo devem caminhar juntos;

que as lágrimas cicatrizam a ferida da perda;

que vale tentar um novo amor, porque o anterior não era amor;

que a vida segue seu itinerário e devo fazer de tudo para estar nele;

que super-heróis são somente homens e mulheres motivados;

que a minha alegria de viver sempre irá servir de consolo a alguém;

que conhecimento todos tem, mas estava esquecido;

que o acaso é o destino dizendo, aproveite;

que a vida bem vivida é um misto de desejo, fantasia e realidade, e que vivo feliz assim.

que sonhos são bobagens se não o transformarmos em realidade;

que o abraço é calmante e o beijo é o tônico da esperança e da felicidade;

que homens e mulheres são iguais, apesar de ambos não aceitarem e lutarem contra;

que animais são somente animais e filhos são filhos;

que as manhãs de cada dia trazem o novo, o recomeço, a oportunidade de refazer melhor;

que há pessoas que são assim mesmo, e nada posso fazer com isso, a não ser deixá-las ir;

que os pais educam, magoam, e às vezes deixam marcas profundas, mas nada sabiam sobre isso;

que o melhor altar para ajoelhar-se diariamente em adoração será sempre o seu coração e a sua consciência;

que eu te amo mas nem por isso devo concordar com suas atitudes;

que de vez em quando chove, depois faz sol ou frio, e isso pouco ou nada muda meus objetivos;

que se existe uma verdade verdadeira, ainda não a conheço, mas algumas pessoas insistem em dizer conhecê-las, e destas eu tenho medo;

que a paz não se faz em palavras ou em atitudes conformistas, se faz na canção que acalenta o sono de uma criança;

que sem bom humor na vida você não é boa companhia nem para você mesmo;

que tenho que olhar mais para o bom e belo de mim e da vida;

que entre continuar lutando ou desistir há um abismo de intenções;

que sem amor e limites não criamos filhos saudáveis e maduros;

que estar triste ou alegre nada tem haver com felicidade, apenas com a demanda da vida;

que a educação liberta e transforma para melhor, dependendo de quem educa;

que a acomodação e a preguiça são ervas daninhas da felicidade;

que o sofrimento e a dor não mudam as pessoas, o que muda é a falta de prazer na vida;

Aprendi muitas outras coisas, mas nada diferente do que você também tenha aprendido em sua vida!!!


Adilson Costa
Psicanálise &Terapia

30 outubro 2012

Nem sempre é fácil...


Nem sempre é fácil expressar um sentimento em palavras: algumas ainda não existem;

Nem sempre é fácil fazer a escolha perfeita: a perfeição é uma fantasia;

Nem sempre é fácil perder para poder viver feliz: a felicidade sugere desprendimento;

Nem sempre é fácil não ser ansioso com o futuro: o medo do desconhecido é sempre prudente;

Nem sempre é fácil esquecer um grande amor: o amor é o alimento da alma;

Nem sempre é fácil manter a sanidade mental: parece que os insanos são mais livres;

Nem sempre é fácil esquecer uma ofensa: há cicatrizes quase irreparáveis;

Nem sempre é fácil saber o lado certo: o lado bom depende do lado que estamos;

Nem sempre é fácil ser adulto: a vida infantil não tem grandes responsabilidades;

Nem sempre é fácil se doar ao outro: sempre perco um pedaço de mim;

Nem sempre é fácil ficar em silêncio: ele grita para ser ouvido;

Nem sempre é fácil se encontrar na solidão: a vida é compartilhar amor com alguém;

Nem sempre é fácil lembrar os sonhos: pesadelos devem ser esquecidos;

Nem sempre é fácil aceitar o outro: ele sempre revela o que não quero ver em mim mesmo;

Nem sempre é fácil dizer eu te amo: as palavras não coincidem com as atitudes;

Nem sempre é fácil ter empatia: é um luto sacrificar algo meu aos outros;

Nem sempre é fácil olhar para minhas imperfeições: elas moram num lugar escuro de mim e tenho medo de escuro;

Nem sempre é fácil realizar todos os sonhos: muitos deles são pura fantasia;

Nem sempre é fácil pensar na morte: ela destrói a onipotência da vida;

Nem sempre é fácil não sentir ciúmes: a ferida da perda do objeto amoroso vem junto com o amor;

Nem sempre é fácil não criar expectativas: a educação ensina a sempre esperar algo de alguém;

Nem sempre é fácil lidar com a frustração: a impossibilidade assombra meus anseios;

Nem sempre é fácil saber o que quero: tenho desejos que não são meus;

Nem sempre é fácil aceitar o envelhecimento: a infelicidade faz envelhecer mais rápido;

Nem sempre é fácil educar filhos: desenvolver valores éticos e morais para servir de exemplo dá muito trabalho;

Nem sempre é fácil sair da zona de conforto: vou ter que aceitar as escolhas equivocadas que fiz;

Quase sempre é trabalhoso viver, mas é justamente isso que a vida espera que façamos!

Adilson Costa
Psicanálise & Terapia

27 maio 2012

Egoísmo não combina com felicidade



É muito comum ouvir as pessoas acusarem umas as outras de egoístas. Mas será que sabemos o que é egoísmo? Como se comporta uma pessoa egoísta? Porque agem assim?

Primeiramente há diferenças entre egocentrismo e egoísmo. De forma geral, uma pessoa egocêntrica é aquela que se coloca como o “centro”. Ela percebe o mundo a partir dela mesma, se coloca como referência e percebe o mundo estando no centro. Assim como na antiguidade, os astrônomos acreditavam que a terra era o centro do universo, assim são os egocêntricos.  Tudo é muito material, de sensações físicas. Os assuntos que enredam uma pessoa egocêntrica estão sempre voltados para as questões do dia a dia, materialistas, adoram falar sobre a sua vida e a vida de outras pessoas, do bairro, da cidade, por exemplo. O egocêntrico nada entende, reconhece ou valoriza além do que acontece com si mesmo

O egocêntrico vive em um processo de regressão infantil, quando ainda bebê, acreditava fantasiosamente que ele era o centro e tudo girava a partir das suas necessidades e desejos

O egoísmo é uma postura em não sair dessa fase infantil e tem como ponto central um ajuizamento moral. Sim, egoísmo é uma questão moral – de baixo desenvolvimento moral – pois o contrário do egoísmo é o altruísmo e a solidariedade. A atitude egoísta é a de pensar somente em si, manter relações de trocas – entre outros que vou destacar – enquanto que o altruísmo é a atitude de colocar o sentimento do outro acima de seus próprios sentimentos; é entender o outro, ver as suas necessidades, se colocando no lugar dele, ter a percepção de uma situação tendo a ótica a própria ótica do outro, algo impensável para o egoísta, já que julga ter maiores direitos que qualquer outro e sua visão gira em torno de si mesmo.

Há uma postura egoísta natural e totalmente genuína – sem a qual a espécie humana não existiria, e está intrínseca em todos os  seres vivos – e se esclarece no instinto de autoprevervação e autoconservação do corpo e da vida. Então, se a sobrevivência for colocada em risco é natural buscar atitudes egoístas para mantê-la. É uma medida comum que todo o ser vivo tem, sendo natural e justa. Os animais fazem isso muito bem, até porque como são seres irracionais, instintivos e dependentes, pensam somente em si mesmo e na sua sobrevivência, seu instinto de preservação e de sobrevivência está acima de tudo.

Os seres irracionais se comportam dessa forma sempre – possivelmente os homens das cavernas eram assim. Os seres humanos dotados de inteligência e reflexão deveriam ser diferentes. Essa medida já não se torna válida e o coloca em paridade com os animais irracionais quando se comporta dessa maneira em níveis mais contínuos. Quando a preservação e conversação da sua vida estiverem em jogo é normal se comportar como egoísta, daí em diante não é mais. Cuidar de si é justo e não deve ser chamado de egoísmo ou qualquer similar. Querer direitos e favorecimentos pessoais em detrimento aos outros é ser egoísta. É o egocentrismo infantil, a fixação dos resultados positivos adquiridos nessa fase que o fazem perpetuar esse condicionamento e nos mostra claramente que esse ser humano não amadureceu, ainda é uma criança manipuladora, insegura e incompetente, enquanto no desenvolvimento de seus valores morais, da sua autonomia e de sua sobrevivência afetiva.

Para resumir, vou descrever algumas breves atitudes egoístas que se contrapõem a felicidade, a fim de auxiliar a se observar e sair dessa postura tão nociva ao desenvolvimento da maturidade, da autoestima, da felicidade e do desenvolvimento da sociedade – já que faz permanecer entre os brutos instintos animais.

O ser egoísta centraliza tudo em torno de si. As suas ações visam no final as suas satisfações pessoais materialistas, consumistas, imediatistas – o objeto lhe fornece a superioridade e o reconhecimento.  O egoísta tem a estrutura possessiva de que tudo é dele, sendo, portanto, uma pessoa ciumenta, com sentimentos de superioridade e acomodação. Se alguém não satisfaz seus desejos e interesses logo “faz bico”, pois vive de alta expectativa em receber e ser reconhecido pelos demais.

Ele não se importa com a felicidade e bem estar do outro – não consegue ver a vida a partir da ótica do outro. Habitualmente é crítico, sempre “percebendo” os defeitos dos outros, e consequentemente é alguém que exige demais dos outros e quase nada de si mesmo. Os outros é que tem que mudar, ele não; a culpa da sua situação sempre é dos outros; os outros é que devem lhe servir e prover. Ele nasceu perfeito e, como ser perfeito, deve ser atendido em seus desejos de “rei”.

Como pensam em si mesmos, vivem para ter reconhecimento e gratificação exterior, dizem e fazem tudo para agradar. São bonzinhos, caridosos, tipo “perfeitinho”, pois assim serão amados e reconhecidos. Fazendo o que os outros querem terão o que almejam.

O egoísta quer sempre receber para se sentir feliz – aliás, é um ser que só sente – e por isso sua visão de vida é baseada em trocas, e sempre querem receber muito mais do que ”investiram” ou julgam valer. Ao final sempre estão dizendo que se sacrificaram, lutaram a vida inteira por algo ou alguém, mas na realidade estão pensando somente no que iriam ter que receber e não receberam. E nesse exemplo a posição vitimista já denuncia a necessidade de se manter no centro ao mesmo tempo em que manipula o meio para receber seu reconhecimento e atenção. Em qualquer relação sempre dizem que deram o melhor de si e o outro nunca correspondeu às suas expectativas.

Por serem egocêntricos são viciados em amar. Amar no sentido de serem amados - pois estão incapazes de amar alguém, principalmente a si mesmos - e por isso sempre está fazendo o que os outros querem – mesmo contra sua vontade – para terem o do afeto, reconhecimento e segurança alheia. São ainda crianças, dependentes emocionais, escravos do ilusório.

Quem vive de trocas é uma pessoa egoísta, que faz algo a alguém esperando sempre em receber, e esperam sempre receber mais do que deram – se é que verdadeiramente deram algo. Quando não recebe, o egoísta reage de duas formas básicas: com os mais fracos, responderá com severidade e agressividade, agindo de forma a denegrir a imagem, o trabalho, a capacidade, a moral dessa pessoa de forma direta, reclamando, acusando, criticando, colocando de castigo. Não irá pensar duas vezes em “jogar na cara” as suas “verdades” por saber ser o outro mais fraco (cônjuge, filhos, subalternos). No outro caso, quando percebe que o outro é uma pessoa mais “forte”, a conversa muda de figura, suas ações são covardes e traiçoeiras. Como teme a represália, em ser punido ou prejudicado, não irá agir como antes, mas usará de  artifícios externos para denegrí-la,  e dessa forma,  falará mal pelas “costas”, incitará os demais a antipatia.

Em resumo: os egoístas vivem no aqui e agora material; são possessivos e ciumentos a coisas e/ou pessoas; não conseguem ver e se colocar no mundo sob o ponto de vista do outro, e por isso são impacientes e incompreensivos; são reativos e tem alta expectativa em receber reconhecimento, valoração e o afeto dos outros; como buscam seu próprio interesse, mantém relacionamentos de troca e sempre querem receber muito mais do que oferecem; como acreditam que o mundo deve muito a eles são incapazes de sentir e expressar gratidão – a não ser quando convém – já que é obrigação dos outros satisfazer as suas necessidades.

Se você se identificou com esse texto, esclareço que é possível mudar essa postura para ser livre e feliz de verdade, pois querer ser feliz através da valorização de bens materiais, títulos, cargos; ser amado e reconhecido em uma barganha emocional; viver do ilusório mundo exterior só o levará a desilusão e a infelicidade.

Pense nisso!!

Forte Abraço!!



25 março 2012

O medo do vínculo afetivo: reflexões sobre os relacionamentos contemporâneos.

O medo é uma das emoções mais enraizadas e estruturadas na psique humana. Serve-se principalmente para a proteção e sobrevivência do ser humano. Todos já sentiram ou sentirão algum tipo medo, pois é algo natural e bom, já que coloca todo o organismo em estado de atenção quando uma ameaça se avizinha e tende a colocar em risco algo de fundamental importância para a nossa existência.

O vínculo afetivo é a capacidade (inata e subjetiva) do ser humano em unir-se a uma ou várias pessoas afetivamente, de forma plena, em uma relação de doação de amor e completude. Assim são demonstrações de afeto, a atenção, o toque, o olhar, o abraço, o carinho, a amorosidade, o beijo – não sexuais. É o querer bem de uma amizade, o desejar amor ao outro. A construção de uma relação emocional afetuosa é um laço, um nó que se prende ao outro – de forma não dependente.

O ápice do vínculo afetivo se demonstra na percepção e continuidade da responsabilidade na construção das relações afetivas com os outros. Uma coresponsabilidade afetiva que se traduz em uma frase, bem conhecida, do livro “O Pequeno Príncipe”: “tu és eternamente responsável por aquilo que cativas”.

O medo do vínculo na pós-contemporaneidade também dialoga na mudança da valoração do ser humano. Se antes, para ser reconhecido como um homem de bem, levava-se em consideração os valores internos: a ética e a moralidade; a nobreza de caráter; a construção familiar; o grau de intelectualização; os ideais sociais que visassem o bem comum. Hoje essa valoração se dá pelo que as pessoas têm e mostram externamente, o quanto consumem, o quanto se projetam socialmente.  Se no século XX a sobrevivência do ser humano dependia da autenticação interior, nos dias atuais vale-se de posturas exteriores, como a busca da jovialidade; a projeção social; sua condição financeira; o número de seguidores tem no twitter, no facebook.

Então, a sobrevivência da espécie, antes interna, passou a ser externa. As pessoas se sentem ameaçadas e chegam a adoecer emocionalmente quando não alcançam essa pseudo-valoração. Jovens são educados a retardarem seus relacionamentos, ou mesmo, o interromperem, se isso de alguma forma atrapalhar sua projeção social, seu sucesso financeiro, sua liberdade, suas buscas pessoais e exteriores. Exemplo característico é o adiamento do casamento e da maternidade para após os trinta anos de idade. Há que se edificar sua dependência financeira em primeiro lugar. As pessoas deixam de fazer vínculos afetivos, fazem network, competem, combatem e afastam os que podem “atrapalhar” seu crescimento. Vivem e um clima de desconfiança e insegurança perante o outro, já que este se tornou uma ameaça ao seu sucesso.

Todos querem um amor romântico, no estilo francês, mas se conflitam e se isolam, pois ao mesmo tempo desejam a sua liberdade, o "viver a vida". E o que vemos nessa sociedade de fluidez efêmera, de consumo alienante? As pessoas se relacionam como fazem compras. Adquiro um produto, se este não atender as minhas expectativas, simples, troco-o por outro, e de preferência mais atualizado e completo. Qualquer vínculo mais profundo que ameace minha liberdade e os ditames da valores atuais devem ser menosprezados, por mais que o sonho romanceado "até que a morte nos separe" seja a busca de todos. Não! Eu não posso! Tenho que ser alguém na vida.

O ser humano é na sua excelência um ser afetivo. O material é importante, mais imprescindível são os relacionamentos afetivos. Essa busca desmedida do individualismo, traduzido na caça prioritária pela felicidade, pela autoestima, pelo gozo a todo custo, pela projeção social e financeira, tem destruído o cerne do equilíbrio psíquico emocional do ser humano.  Com a liberação sexual, precocemente as crianças e jovens são induzidos a buscarem um relacionamento sexual, sem envolvimento afetivo. A arte de acumular conquistas geradas pelo consumismo atinge todas as classes sociais. O outro virou um objeto de consumo, uma válvula de escape para as pressões internas e externas.

O primeiro lugar onde se efetiva a formação equilibrada do vínculo se inicia no processo de gestação nas interações emocionais da mãe com o seu bebê. Os estados emocionais da mãe atingem o feto pela corrente sanguínea, pois suas emoções fazem descarregar hormônios e enzimas que alcançam seu filho pela corrente sanguínea. E todo o processo gestacional, pelas emoções vividas, formam uma base na natureza de como esse futuro ser humano mediará seus vínculos.

É principalmente nos primeiros meses de vida que o bebê aprenderá e repetirá em adulto, como se vincular ao outro. Nesse ponto, a amamentação é um dos pontos chaves para melhor compreender esse processo. O ser tocado e acariciado pela mãe, o tocar nela, o olhar acolhedor, o diálogo amoroso, a contingência materna, a prontidão e atenção devem ser os ingredientes a nutrir essa formação para que futuramente ele venha a buscar vínculos afetivos.


Mas, presos a buscas exteriores, esse momento tem sido negligenciado, terceirizado, mecanizado. Os meses futuros - quando não os três primeiros, que são fundamentais - se incumbem em registrar tal afirmativa, pois os pequenos são deixados com babás, cuidadores, avós - e às vezes todos no mesmo dia. Crescem vendo seus pais preocupados consigo mesmos e com suas vidas profissionais, com sua felicidade e autoestima, com a desculpa de estarem trabalhando tanto para darem uma vida melhor a seus filhos. Como não tiveram o vínculo do afeto – ao contrário, sentem-se abandonados, trocados, rejeitados – nada saberão sobre isso, pois cada um só dá aquilo que recebeu. Como estabelecer um vínculo afetivo profundo com outras pessoas, se o que vivenciou foi superficial? Como estabelecer um vínculo afetivo profundo, se prolifera o sexo pelo orgasmo, e se não estiver bom, procuro quem me satisfaça, pois “a fila anda”? Como ser em empático com os demais se na formação da sua personalidade quando seus pais não foram empáticos com ele? Essas crianças crescem com o medo do vínculo afetivo, como uma ansiedade, um medo em ser diferente dos outros, um medo que o outro atrapalhe a sua sobrevivência.

Temos outro ponto vultoso do medo em se vincular afetivamente a alguém, característico da nossa sociedade das aparências, do externo, do superficial, da realidade virtual. Vive-se para “parecer ser”. Monta-se uma persona que se adéque as exigências sociais – ser forte, competitivo, consumista, insensível ao fracasso alheio, vitorioso, agressivo e suas buscas – e muita vez vive-se dela em outras relações. Forma-se um processo ambivalente entre aquilo que realmente sou e o que demonstro ser – vamos esquecer aquilo que os outros gostariam que eu fosse para reduzir a proposta de entendimento. No convívio diário de uma relação torna-se impossível esconder a verdade interior de cada um. Mostrar-se quem verdadeiramente se é, com suas fragilidades e angústias vai à oposição aos conceitos atuais, e pode fazer com que muitas pessoas se esquivem de um relacionamento e mantenham a postura que a sociedade mendiga – apesar de se manterem solitárias e empobrecidas internamente. Aliás, a maior proposta de um relacionamento são as mudanças internas que se devem fazer a fim de deixar de ser individualista e ser empático e altruísta. Mas vivemos em uma sociedade individualista e egoísta. Vínculos afetivos põem em risco a sobrevivência social.

Observável se faz relatar que os casamentos ainda crescem em acontecer, já que faz parte da pasta social, mas há pouco vínculo afetivo, busca-se em primeiro as projeções sociais e profissionais de cada um. O casal deixa de investir nos vínculos e sonhos do casal, para cuidar da carreira e dos negócios pessoais. Protela-se a paternidade e a maternidade, pois primeiro tem de “estar bem” financeiramente e profissionalmente, para depois pensar em filhos. Muitas vezes decidem não ter filhos para que isso não cause algum empecilho na carreira. Se os casamentos continuam a acontecer como sempre ocorreram, os divórcios relâmpagos crescem assustadoramente, assim como encontrar pessoas no seu terceiro, quarto, quinto casamento.

A relação das amizades também se extraviou. As amizades virtuais estão em voga e todos precisam saber o que se está fazendo e pensando. Você pode ter uma amizade de décadas, pode haver um sentimento de afeição profundo, mas no momento em que se supor – mesmo sendo fantasioso – que de alguma forma algo coloque em risco a sua projeção social, os ganhos financeiros, os interesses pessoais, o resultado será o afastamento. Não se terá relevância os valores morais do outro, o afeto nutrido por décadas, o querer bem. Em uma sociedade individualista, superficial e consumista, pensa-se primeiro nas aparências e nos lucros. Até chamar de amigo, terão que viver juntos às provas do secreto, dos interesses iguais, do dinheiro e do afastamento. Antigamente uma pessoa precisaria de no mínimo quatro ótimos amigos, que serviriam para segurar a alça do seu caixão no dia do seu enterro. Nos dias atuais, não se necessita mais, a pessoa paga antes, e um funcionário da funerária empurra o carrinho até a cova. Mas não se preocupe. Haverá muitas pessoas em seu funeral. Faz parte do compromisso de projeção social.

O vizinho que antes era da família, agora é alguém que desconheço, e limito ao padrão da boa educação vigente: bom dia, boa tarde, boa noite. Não se pode confiar em ninguém nesses tempos de competição. E também as pessoas estão sempre apressadas em suas buscas pessoais e materiais e não tem tempo para o outro. Se não encontra tempo para si, pois há a necessidade em ser agressivamente produtivo, dirá perder tempo com um vizinho. Não se tem tempo de parar e cumprimentar um amigo (a) olhando nos olhos e saber quem é ele e como está; tempo para os filhos; para telefonar e dar feliz aniversário aos amigos e familiares – melhor escrever nas páginas sociais que todos vêem que sou preocupado com minhas amizades.

É oportuno refletir que os animais – nem vou escrever sobre as pessoas estarem trocando vínculos afetivos humanos com animais, chamando-os de filho (a), neto (a), bebê, me recuso – seres irracionais e condicionados geneticamente, instintivamente – como eles sabem que isso é fundamental? – desde o nascimento da prole, articulam brincadeiras e jogos de contato físico-afetivo, até o momento da autonomia de cada espécie, enquanto nós seres humanos, chamados de racionais, dotados de certa inteligência e razão, estamos fazendo sem qualquer reflexão, o rompimento com o outro. Vemos o outro como um objeto para alcançarmos nossos objetivos materiais, deixando de lado a estrutura primária e formadora da sanidade mental do individuo: a família e seus laços de afeto.

A má formação afetiva, principalmente com a mãe – o pai entra na história um pouco depois, mas também tem seu papel – é a principal fonte geradora de diversas psicopatologias no ser humano e, em especial, a dificuldade e o medo do vínculo afetivo. Dessa interação desastrosa é que se formam as famílias disfuncionais, onde não se encontram espaço para as trocas afetivas. Pessoas que tem dificuldades em manter um vínculo afetivo positivo – ou mantém um vínculo negativo – quando expõem seus conflitos repetitivos, sempre mostram que cresceram em um seio familiar de escassez de afeto; viveram o abandono familiar; a rejeição da mãe ou do pai; crenças negativas do amor; foram expostas por pais que fracassaram em suas relações amorosas; duplo vínculo; sofreram de transtorno de ansiedade da separação; estão presas ao passado infantil por não terem amor dos pais; presas no passado por traumas em outras relações e tem medo de se envolver, em conseqüências das mágoas não digeridas de forma adequada; e algumas mais.

O ser humano é essencialmente social, necessariamente afetivo. A saúde mental-emocional é nutrida pelo afeto, pelo carinho, atenção e o amor que a ele são dispensados durante a formação da sua personalidade e que aprende a doar aos outros. Ninguém vive sem amor, aliás, pode viver, mas com graves e contundentes problemas psíquicos. É sabido que em nossa sociedade pós-moderna crescem como bolas de neve o número de doenças emocionais, em todas as classes sociais, dos mais abastados aos mais empobrecidos materialmente, dos intelectuais aos ignorantes do conhecimento, dos belos aos feios. Será que já não se faz tardio tentar reencontrar a medida perdida? O ser humano pode conquistar Marte, mas terá que pagar o preço da falta de amor!

Pense nisso!

Forte Abraço!

Adilson Costa
Psicanálise & Terapia
  

04 março 2012

Autoconhecimento, individualidade e autenticidade




          O ponto primordial para ser um ser humano melhor e mais feliz, sempre repousará na busca do autoconhecimento. O autoconhecimento é buscar entender a realidade interna, e saber fazer cada escolha levando em consideração a realidade externa.

Um dos caminhos insidiosos que a maioria das pessoas transita é o de tentar usar a razão antes ao sentimento, ou seja, elas querem entender antes de sentir. Esse processo favorece o assentamento de um poderoso mecanismo de defesa do ego que impossibilita o autoconhecimento: a racionalização. A racionalização é quando se deixa de lado as vivências internas afetivas e se usa argumentos lógicos e racionais, justificando ou dando desculpas a determinadas atitudes comportamentais. Isso também permite manter o conflito interno, já que censura trazer a consciência, os sentimentos e emoções que geram as angústias que se sente. Ex. Ah, mas está todo mundo endividado. É a crise mundial. Além de racionalizar, transferiu a responsabilidade para o sistema, ou seja, justificou seu problema de administração financeira.

Autoconhecimento é a capacidade que favorece a compreensão daquilo que se passa afetivamente dentro de cada um, as crenças, os ideais, os sonhos, os medos, os traumas. É o autoconhecimento que engendra sentir-se no mundo de forma individual e plena. Individualidade é a singularidade que distingue cada ser humano e o coloca no mundo de forma diferente de qualquer outro; é a originalidade do ser humano; sua unicidade: um ser individual e único, exclusivo. É diferente de individualismo.

Individualismo é a valorização e busca das satisfações pessoais em detrimento ao outro. É a tendência daquele que vive e se importa somente consigo; não possui senso ou sentimento de solidariedade. É egocêntrico, egoísta. Está sempre buscando o “ter” em prejuízo a “ser”. Habitualmente vive no circulo da posse (são apegados), do consumo próprio e do imediatismo superficial, sem noções de conjunto e não respeitando a individualidade do outro.

É sábio refletir que entre outros caracteres, a sociedade o pósmoderna conduz o ser humano a um processo de massificação de escolhas e valores, ou seja, cada um deve expressar sua singularidade fazendo o que os outros estão fazendo, comprando o que os outros compram, vestindo o que os outros vestem, pensando o que os outros pensam. O paradoxo que se apresenta descabido, é que não se possui plena individualidade enquanto algemados pela massificação das escolhas sociais. Ao mesmo tempo em que almeja sua tal “liberdade”, o ser humano não a tem, pois a sua liberdade está presa as escolhas familiares e sociais.

Como não realiza o autoconhecimento, perde o que de mais valioso foi ofertado pela natureza: sua autenticidade. A condição de ser único, genuíno, autêntico, sua distinção, sua identidade própria. Perde também sua autonomia, pois não faz escolhas próprias, não possui ideais próprios, já que as repete irracionalmente – no sentido de não reflexão – a  da massa, assim como os animais replicam seu ciclo instintivos. Segue conformado, sem saber o que verdadeiramente é bom ou não para si; o que gosta e o que não gosta; que ideais e sonhos possui. Nasce, cresce e repete o que a família e a sociedade lhe oferece. É um ser robotizado em suas escolhas e decisões.

As pessoas confundem autenticidade com falar ao outro a “tal da verdade”. Isso na maioria das vezes é falta de educação, defesas de ataque para não mostrar sua insegurança. Ser autentico é usar da liberdade para fazer suas escolhas, é não precisar provar nada a ninguém, é estar em paz com sua autoestima, não fazer para agradar e ser reconhecido, mas fazer porque gosta. É respeitar a individualidade do outro. Ser autêntico é conhecer a si mesmo e respeitar a sua individualidade.

É não ser um robô replicante – papagaio de pirata, como se diz usualmente – das ideologias e modismos da televisão, da moda, da religião, da política, dos grupos. Mais interessante é pensar que para saber quem somos, somos estimulados e sobrepujados pelo outro e pela sociedade, e esse é um ótimo caminho que auxilia no autoconhecimento e o resgate da individualidade. Não se tem plena individualidade enquanto algemados pela massificação das escolhas sociais e o resgate da originalidade infantil.

Pense nisso!!!

Forte Abraço!!!

Adilson Costa
Psicanálise & Terapia



09 janeiro 2012

Recuperando a autoestima!



O ser humano, visionário na busca de valores materiais impingidos por esta sociedade de consumo e de aparências, tem se mantido cego de si mesmo, enevoado em buscas imediatistas e irreais, projetando para fora de si a provisão que somente ele pode lhe oferecer: o amor. O espelho prático dessa deturpação filosófica do significado da sua vida, tem se apresentado de forma alarmante e preocupante nos sintomas de baixa autoestima

A autoestima equilibrada pressupõe especialmente, a autoaceitação, o autorespeito, a autonomia, a autoconfiança e a autoimagem. Há uma pressão que estimula a se buscar exteriormente os valores e capacidades que estão latentes em si mesmo. Agindo dessa forma, o caminho segue na contramão da autoestima. Ao invés de se aceitar, se respeitar, reconhecer seus valores e potenciais, fazer escolhas próprias, confiar em si, se amar, dá-se ao outro esse poder pessoal, ou seja, mergulham em um estereótipo, em uma dependência emocional, desejam possuir ou realizar algo para que dessa forma, recebam o reconhecimento, a segurança e o amor do outro. Transferem exteriormente a responsabilidade da sua felicidade, e nesse caso, o fracasso, as frustrações, os comportamentos agressivos vão se acumulando ao longo dos anos.

Nesse referencial distorcido e capenga, desencontram-se da sua verdadeira identidade, sufocam-se na ambivalência psíquica, pois buscam ser algo que nunca serão e nunca conseguirão ser a pessoa que realmente são. Perdem a sua essência, a sua autonomia, a sua autenticidade.

A autoestima é uma avaliação que se faz de si mesmo; o conceito que se tem sobre as qualidades e imperfeições, sobre os erros e acertos; a forma de falar; a aparência física; o jeito de se vestir; o que está certo e errado em cada um; a forma como cada um se cuida; o reconhecimento do seu valor pessoal. Tem haver sobre o bom e belo que cada ser humano possui.

Ter autoestima equilibrada é gostar de si, se aceitar como se é, não se permitir enquadrar nos modelos estereotipados e superficiais que a sociedade organiza, como por exemplo, que para ter prestigio e reconhecimento, a aparência física em corpos esbeltos e bem delineados é essencial, assim como quem mais consome é quem possui prestígio e poder.  Ter autoestima é não se permitir ser uma “outra pessoa” apenas para agradar e ser aceito. É não mergulhar em qualquer relação porque sente um “vazio” que parece nunca se preencher – mesmo depois de estar com a pessoa ou ter alcançado o que desejava. Há uma imagem irreal da dinâmica da vida, daquilo que é essencial para se sentir bem e feliz.

Nunca são objetos ou pessoas que tornarão você melhor e mais feliz –  por mais que necessitemos nos projetar no outro para saber quem somos. Há uma desvalorização pessoal, já que só se sente valor próprio quando possui o objeto, situação ou pessoa –  quando estiver magra, musculoso, possuir bens materiais, casar com um tipo determinado de pessoa – em tal caso, o valor que se possui é o valor emprestado do objeto, situação ou pessoa. Sem o objeto, situação ou pessoa não valho nada! Inundam-se os sentimentos de inferioridade, incapacidade e desvalor moral.

A formação da personalidade é moldada até os 06 anos de idade. A autoestima equilibrada vai se delineando desde o nascimento, na forma com que os pais, cuidadores, parentais, amigos e professores a reconheceram. Com carinho, segurança, autonomia, valorização pelos esforços e conquistas, avaliação positiva das suas construções quando boas, ou reeducativas quando o contrário ocorre, teremos a autoestima funcional. A forma com que vai se ler o mundo e a si mesmo será positiva, equilbrada, altruísta.

Quem sofre de baixa autoestima revela uma história infantil pobre em afetos parentais; sentimentos de abandono e rejeição; violência física e moral; educação muito rigorosa; recebem muitas mensagens negativas; tiveram uma educação inspirada no medo, no autoritarismo, nas punições, na agressividade. Isso fez com que se afastasse do seu "eu verdadeiro", e deixasse de se reconhecer e amar, em resposta ao que externamente foi comunicado em relação a suas capacidades e comportamentos.

Já não se pode ser autentica consigo, não pode se expressar como verdadeiramente se percebe. Teve que se “adequar” aos padrões de exigência exterior, sufocando seu “eu”, já que a resposta que recebia dos seus provedores de afeto, afirmavam que seu jeito era errado e inadequado, o certo era do outro jeito, o jeito deles. E para poder receber a provisão de afeto, segurança e reconhecimento – que é indispensável em sua formação – passou a “ser” de outro jeito para agradar. E esse parâmetro leva em sua vida até hoje. Vive uma vida de trocas, satisfazendo os outros para agradar e receber afeto, enquanto vive frustrada, angustiada e infeliz consigo mesmo.

Mas isso pode ser mudado!!!

Na clínica psicanalítica, para a reestruturação da autoestima, busca-se o reencontro com seu verdadeiro senso de valor, a diminuição da demanda das crenças negativas instaladas durante a vida, dos sintomas de agressividade que se entrelaçam no comportamento. Não se muda o passado, mas é por meio dele que reconhecemos quem somos hoje, e à partir dele, equilibrar a autoestima, reorganizar a mente e resgatar o autoamor.

Se este texto conta a sua história, a vida segue no automático, paralisada, com repetições dos mesmos padrões de relacionamentos, escolhas e comportamentos que não são saudáveis, significa a necessidade de ajuda profissional,  de um psicanalista ou psicólogo. Torna-se difícil o reequilíbrio pessoal de forma isolada, em virtude dos inúmeros condicionamentos e mecanismos de defesa que já estão instalados. Além disso, como precisamos do outro para saber quem somos, a análise favorece a relação de olhar para si mesmo, desprovidos de culpas, julgamentos e punições. Esse é o caminho da mudança!

O psicanalista irá caminhar com você, a fim de extirpar os núcleos geradores do conflito, ampliando a visão da vida emocional e da em socieade, possibilitando que esteja inteira, autêntica, feliz consigo mesmo e com os outros. O resultado é o equilíbrio dinâmico da autoaceitação, do autorespeito, da autonomia, da autoconfiança e da autoimagem.

Pense nisso!!! Forte Abraço!!!

Adilson Costa
Psicanálise & Terapia
ANEP 1133
adilsonncosta@gmail.com


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