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09 janeiro 2012

Recuperando a autoestima!



O ser humano, visionário na busca de valores materiais impingidos por esta sociedade de consumo e de aparências, tem se mantido cego de si mesmo, enevoado em buscas imediatistas e irreais, projetando para fora de si a provisão que somente ele pode lhe oferecer: o amor. O espelho prático dessa deturpação filosófica do significado da sua vida, tem se apresentado de forma alarmante e preocupante nos sintomas de baixa autoestima

A autoestima equilibrada pressupõe especialmente, a autoaceitação, o autorespeito, a autonomia, a autoconfiança e a autoimagem. Há uma pressão que estimula a se buscar exteriormente os valores e capacidades que estão latentes em si mesmo. Agindo dessa forma, o caminho segue na contramão da autoestima. Ao invés de se aceitar, se respeitar, reconhecer seus valores e potenciais, fazer escolhas próprias, confiar em si, se amar, dá-se ao outro esse poder pessoal, ou seja, mergulham em um estereótipo, em uma dependência emocional, desejam possuir ou realizar algo para que dessa forma, recebam o reconhecimento, a segurança e o amor do outro. Transferem exteriormente a responsabilidade da sua felicidade, e nesse caso, o fracasso, as frustrações, os comportamentos agressivos vão se acumulando ao longo dos anos.

Nesse referencial distorcido e capenga, desencontram-se da sua verdadeira identidade, sufocam-se na ambivalência psíquica, pois buscam ser algo que nunca serão e nunca conseguirão ser a pessoa que realmente são. Perdem a sua essência, a sua autonomia, a sua autenticidade.

A autoestima é uma avaliação que se faz de si mesmo; o conceito que se tem sobre as qualidades e imperfeições, sobre os erros e acertos; a forma de falar; a aparência física; o jeito de se vestir; o que está certo e errado em cada um; a forma como cada um se cuida; o reconhecimento do seu valor pessoal. Tem haver sobre o bom e belo que cada ser humano possui.

Ter autoestima equilibrada é gostar de si, se aceitar como se é, não se permitir enquadrar nos modelos estereotipados e superficiais que a sociedade organiza, como por exemplo, que para ter prestigio e reconhecimento, a aparência física em corpos esbeltos e bem delineados é essencial, assim como quem mais consome é quem possui prestígio e poder.  Ter autoestima é não se permitir ser uma “outra pessoa” apenas para agradar e ser aceito. É não mergulhar em qualquer relação porque sente um “vazio” que parece nunca se preencher – mesmo depois de estar com a pessoa ou ter alcançado o que desejava. Há uma imagem irreal da dinâmica da vida, daquilo que é essencial para se sentir bem e feliz.

Nunca são objetos ou pessoas que tornarão você melhor e mais feliz –  por mais que necessitemos nos projetar no outro para saber quem somos. Há uma desvalorização pessoal, já que só se sente valor próprio quando possui o objeto, situação ou pessoa –  quando estiver magra, musculoso, possuir bens materiais, casar com um tipo determinado de pessoa – em tal caso, o valor que se possui é o valor emprestado do objeto, situação ou pessoa. Sem o objeto, situação ou pessoa não valho nada! Inundam-se os sentimentos de inferioridade, incapacidade e desvalor moral.

A formação da personalidade é moldada até os 06 anos de idade. A autoestima equilibrada vai se delineando desde o nascimento, na forma com que os pais, cuidadores, parentais, amigos e professores a reconheceram. Com carinho, segurança, autonomia, valorização pelos esforços e conquistas, avaliação positiva das suas construções quando boas, ou reeducativas quando o contrário ocorre, teremos a autoestima funcional. A forma com que vai se ler o mundo e a si mesmo será positiva, equilbrada, altruísta.

Quem sofre de baixa autoestima revela uma história infantil pobre em afetos parentais; sentimentos de abandono e rejeição; violência física e moral; educação muito rigorosa; recebem muitas mensagens negativas; tiveram uma educação inspirada no medo, no autoritarismo, nas punições, na agressividade. Isso fez com que se afastasse do seu "eu verdadeiro", e deixasse de se reconhecer e amar, em resposta ao que externamente foi comunicado em relação a suas capacidades e comportamentos.

Já não se pode ser autentica consigo, não pode se expressar como verdadeiramente se percebe. Teve que se “adequar” aos padrões de exigência exterior, sufocando seu “eu”, já que a resposta que recebia dos seus provedores de afeto, afirmavam que seu jeito era errado e inadequado, o certo era do outro jeito, o jeito deles. E para poder receber a provisão de afeto, segurança e reconhecimento – que é indispensável em sua formação – passou a “ser” de outro jeito para agradar. E esse parâmetro leva em sua vida até hoje. Vive uma vida de trocas, satisfazendo os outros para agradar e receber afeto, enquanto vive frustrada, angustiada e infeliz consigo mesmo.

Mas isso pode ser mudado!!!

Na clínica psicanalítica, para a reestruturação da autoestima, busca-se o reencontro com seu verdadeiro senso de valor, a diminuição da demanda das crenças negativas instaladas durante a vida, dos sintomas de agressividade que se entrelaçam no comportamento. Não se muda o passado, mas é por meio dele que reconhecemos quem somos hoje, e à partir dele, equilibrar a autoestima, reorganizar a mente e resgatar o autoamor.

Se este texto conta a sua história, a vida segue no automático, paralisada, com repetições dos mesmos padrões de relacionamentos, escolhas e comportamentos que não são saudáveis, significa a necessidade de ajuda profissional,  de um psicanalista ou psicólogo. Torna-se difícil o reequilíbrio pessoal de forma isolada, em virtude dos inúmeros condicionamentos e mecanismos de defesa que já estão instalados. Além disso, como precisamos do outro para saber quem somos, a análise favorece a relação de olhar para si mesmo, desprovidos de culpas, julgamentos e punições. Esse é o caminho da mudança!

O psicanalista irá caminhar com você, a fim de extirpar os núcleos geradores do conflito, ampliando a visão da vida emocional e da em socieade, possibilitando que esteja inteira, autêntica, feliz consigo mesmo e com os outros. O resultado é o equilíbrio dinâmico da autoaceitação, do autorespeito, da autonomia, da autoconfiança e da autoimagem.

Pense nisso!!! Forte Abraço!!!

Adilson Costa
Psicanálise & Terapia
ANEP 1133
adilsonncosta@gmail.com


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