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04 março 2012

Autoconhecimento, individualidade e autenticidade




          O ponto primordial para ser um ser humano melhor e mais feliz, sempre repousará na busca do autoconhecimento. O autoconhecimento é buscar entender a realidade interna, e saber fazer cada escolha levando em consideração a realidade externa.

Um dos caminhos insidiosos que a maioria das pessoas transita é o de tentar usar a razão antes ao sentimento, ou seja, elas querem entender antes de sentir. Esse processo favorece o assentamento de um poderoso mecanismo de defesa do ego que impossibilita o autoconhecimento: a racionalização. A racionalização é quando se deixa de lado as vivências internas afetivas e se usa argumentos lógicos e racionais, justificando ou dando desculpas a determinadas atitudes comportamentais. Isso também permite manter o conflito interno, já que censura trazer a consciência, os sentimentos e emoções que geram as angústias que se sente. Ex. Ah, mas está todo mundo endividado. É a crise mundial. Além de racionalizar, transferiu a responsabilidade para o sistema, ou seja, justificou seu problema de administração financeira.

Autoconhecimento é a capacidade que favorece a compreensão daquilo que se passa afetivamente dentro de cada um, as crenças, os ideais, os sonhos, os medos, os traumas. É o autoconhecimento que engendra sentir-se no mundo de forma individual e plena. Individualidade é a singularidade que distingue cada ser humano e o coloca no mundo de forma diferente de qualquer outro; é a originalidade do ser humano; sua unicidade: um ser individual e único, exclusivo. É diferente de individualismo.

Individualismo é a valorização e busca das satisfações pessoais em detrimento ao outro. É a tendência daquele que vive e se importa somente consigo; não possui senso ou sentimento de solidariedade. É egocêntrico, egoísta. Está sempre buscando o “ter” em prejuízo a “ser”. Habitualmente vive no circulo da posse (são apegados), do consumo próprio e do imediatismo superficial, sem noções de conjunto e não respeitando a individualidade do outro.

É sábio refletir que entre outros caracteres, a sociedade o pósmoderna conduz o ser humano a um processo de massificação de escolhas e valores, ou seja, cada um deve expressar sua singularidade fazendo o que os outros estão fazendo, comprando o que os outros compram, vestindo o que os outros vestem, pensando o que os outros pensam. O paradoxo que se apresenta descabido, é que não se possui plena individualidade enquanto algemados pela massificação das escolhas sociais. Ao mesmo tempo em que almeja sua tal “liberdade”, o ser humano não a tem, pois a sua liberdade está presa as escolhas familiares e sociais.

Como não realiza o autoconhecimento, perde o que de mais valioso foi ofertado pela natureza: sua autenticidade. A condição de ser único, genuíno, autêntico, sua distinção, sua identidade própria. Perde também sua autonomia, pois não faz escolhas próprias, não possui ideais próprios, já que as repete irracionalmente – no sentido de não reflexão – a  da massa, assim como os animais replicam seu ciclo instintivos. Segue conformado, sem saber o que verdadeiramente é bom ou não para si; o que gosta e o que não gosta; que ideais e sonhos possui. Nasce, cresce e repete o que a família e a sociedade lhe oferece. É um ser robotizado em suas escolhas e decisões.

As pessoas confundem autenticidade com falar ao outro a “tal da verdade”. Isso na maioria das vezes é falta de educação, defesas de ataque para não mostrar sua insegurança. Ser autentico é usar da liberdade para fazer suas escolhas, é não precisar provar nada a ninguém, é estar em paz com sua autoestima, não fazer para agradar e ser reconhecido, mas fazer porque gosta. É respeitar a individualidade do outro. Ser autêntico é conhecer a si mesmo e respeitar a sua individualidade.

É não ser um robô replicante – papagaio de pirata, como se diz usualmente – das ideologias e modismos da televisão, da moda, da religião, da política, dos grupos. Mais interessante é pensar que para saber quem somos, somos estimulados e sobrepujados pelo outro e pela sociedade, e esse é um ótimo caminho que auxilia no autoconhecimento e o resgate da individualidade. Não se tem plena individualidade enquanto algemados pela massificação das escolhas sociais e o resgate da originalidade infantil.

Pense nisso!!!

Forte Abraço!!!

Adilson Costa
Psicanálise & Terapia



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