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27 maio 2012

Egoísmo não combina com felicidade



É muito comum ouvir as pessoas acusarem umas as outras de egoístas. Mas será que sabemos o que é egoísmo? Como se comporta uma pessoa egoísta? Porque agem assim?

Primeiramente há diferenças entre egocentrismo e egoísmo. De forma geral, uma pessoa egocêntrica é aquela que se coloca como o “centro”. Ela percebe o mundo a partir dela mesma, se coloca como referência e percebe o mundo estando no centro. Assim como na antiguidade, os astrônomos acreditavam que a terra era o centro do universo, assim são os egocêntricos.  Tudo é muito material, de sensações físicas. Os assuntos que enredam uma pessoa egocêntrica estão sempre voltados para as questões do dia a dia, materialistas, adoram falar sobre a sua vida e a vida de outras pessoas, do bairro, da cidade, por exemplo. O egocêntrico nada entende, reconhece ou valoriza além do que acontece com si mesmo

O egocêntrico vive em um processo de regressão infantil, quando ainda bebê, acreditava fantasiosamente que ele era o centro e tudo girava a partir das suas necessidades e desejos

O egoísmo é uma postura em não sair dessa fase infantil e tem como ponto central um ajuizamento moral. Sim, egoísmo é uma questão moral – de baixo desenvolvimento moral – pois o contrário do egoísmo é o altruísmo e a solidariedade. A atitude egoísta é a de pensar somente em si, manter relações de trocas – entre outros que vou destacar – enquanto que o altruísmo é a atitude de colocar o sentimento do outro acima de seus próprios sentimentos; é entender o outro, ver as suas necessidades, se colocando no lugar dele, ter a percepção de uma situação tendo a ótica a própria ótica do outro, algo impensável para o egoísta, já que julga ter maiores direitos que qualquer outro e sua visão gira em torno de si mesmo.

Há uma postura egoísta natural e totalmente genuína – sem a qual a espécie humana não existiria, e está intrínseca em todos os  seres vivos – e se esclarece no instinto de autoprevervação e autoconservação do corpo e da vida. Então, se a sobrevivência for colocada em risco é natural buscar atitudes egoístas para mantê-la. É uma medida comum que todo o ser vivo tem, sendo natural e justa. Os animais fazem isso muito bem, até porque como são seres irracionais, instintivos e dependentes, pensam somente em si mesmo e na sua sobrevivência, seu instinto de preservação e de sobrevivência está acima de tudo.

Os seres irracionais se comportam dessa forma sempre – possivelmente os homens das cavernas eram assim. Os seres humanos dotados de inteligência e reflexão deveriam ser diferentes. Essa medida já não se torna válida e o coloca em paridade com os animais irracionais quando se comporta dessa maneira em níveis mais contínuos. Quando a preservação e conversação da sua vida estiverem em jogo é normal se comportar como egoísta, daí em diante não é mais. Cuidar de si é justo e não deve ser chamado de egoísmo ou qualquer similar. Querer direitos e favorecimentos pessoais em detrimento aos outros é ser egoísta. É o egocentrismo infantil, a fixação dos resultados positivos adquiridos nessa fase que o fazem perpetuar esse condicionamento e nos mostra claramente que esse ser humano não amadureceu, ainda é uma criança manipuladora, insegura e incompetente, enquanto no desenvolvimento de seus valores morais, da sua autonomia e de sua sobrevivência afetiva.

Para resumir, vou descrever algumas breves atitudes egoístas que se contrapõem a felicidade, a fim de auxiliar a se observar e sair dessa postura tão nociva ao desenvolvimento da maturidade, da autoestima, da felicidade e do desenvolvimento da sociedade – já que faz permanecer entre os brutos instintos animais.

O ser egoísta centraliza tudo em torno de si. As suas ações visam no final as suas satisfações pessoais materialistas, consumistas, imediatistas – o objeto lhe fornece a superioridade e o reconhecimento.  O egoísta tem a estrutura possessiva de que tudo é dele, sendo, portanto, uma pessoa ciumenta, com sentimentos de superioridade e acomodação. Se alguém não satisfaz seus desejos e interesses logo “faz bico”, pois vive de alta expectativa em receber e ser reconhecido pelos demais.

Ele não se importa com a felicidade e bem estar do outro – não consegue ver a vida a partir da ótica do outro. Habitualmente é crítico, sempre “percebendo” os defeitos dos outros, e consequentemente é alguém que exige demais dos outros e quase nada de si mesmo. Os outros é que tem que mudar, ele não; a culpa da sua situação sempre é dos outros; os outros é que devem lhe servir e prover. Ele nasceu perfeito e, como ser perfeito, deve ser atendido em seus desejos de “rei”.

Como pensam em si mesmos, vivem para ter reconhecimento e gratificação exterior, dizem e fazem tudo para agradar. São bonzinhos, caridosos, tipo “perfeitinho”, pois assim serão amados e reconhecidos. Fazendo o que os outros querem terão o que almejam.

O egoísta quer sempre receber para se sentir feliz – aliás, é um ser que só sente – e por isso sua visão de vida é baseada em trocas, e sempre querem receber muito mais do que ”investiram” ou julgam valer. Ao final sempre estão dizendo que se sacrificaram, lutaram a vida inteira por algo ou alguém, mas na realidade estão pensando somente no que iriam ter que receber e não receberam. E nesse exemplo a posição vitimista já denuncia a necessidade de se manter no centro ao mesmo tempo em que manipula o meio para receber seu reconhecimento e atenção. Em qualquer relação sempre dizem que deram o melhor de si e o outro nunca correspondeu às suas expectativas.

Por serem egocêntricos são viciados em amar. Amar no sentido de serem amados - pois estão incapazes de amar alguém, principalmente a si mesmos - e por isso sempre está fazendo o que os outros querem – mesmo contra sua vontade – para terem o do afeto, reconhecimento e segurança alheia. São ainda crianças, dependentes emocionais, escravos do ilusório.

Quem vive de trocas é uma pessoa egoísta, que faz algo a alguém esperando sempre em receber, e esperam sempre receber mais do que deram – se é que verdadeiramente deram algo. Quando não recebe, o egoísta reage de duas formas básicas: com os mais fracos, responderá com severidade e agressividade, agindo de forma a denegrir a imagem, o trabalho, a capacidade, a moral dessa pessoa de forma direta, reclamando, acusando, criticando, colocando de castigo. Não irá pensar duas vezes em “jogar na cara” as suas “verdades” por saber ser o outro mais fraco (cônjuge, filhos, subalternos). No outro caso, quando percebe que o outro é uma pessoa mais “forte”, a conversa muda de figura, suas ações são covardes e traiçoeiras. Como teme a represália, em ser punido ou prejudicado, não irá agir como antes, mas usará de  artifícios externos para denegrí-la,  e dessa forma,  falará mal pelas “costas”, incitará os demais a antipatia.

Em resumo: os egoístas vivem no aqui e agora material; são possessivos e ciumentos a coisas e/ou pessoas; não conseguem ver e se colocar no mundo sob o ponto de vista do outro, e por isso são impacientes e incompreensivos; são reativos e tem alta expectativa em receber reconhecimento, valoração e o afeto dos outros; como buscam seu próprio interesse, mantém relacionamentos de troca e sempre querem receber muito mais do que oferecem; como acreditam que o mundo deve muito a eles são incapazes de sentir e expressar gratidão – a não ser quando convém – já que é obrigação dos outros satisfazer as suas necessidades.

Se você se identificou com esse texto, esclareço que é possível mudar essa postura para ser livre e feliz de verdade, pois querer ser feliz através da valorização de bens materiais, títulos, cargos; ser amado e reconhecido em uma barganha emocional; viver do ilusório mundo exterior só o levará a desilusão e a infelicidade.

Pense nisso!!

Forte Abraço!!