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19 março 2013

Doença do Mau Humor. A Distimia.


Sabe aquela pessoa que está sempre de mau humor, que acorda de mau humor? Que é tida como chata, pessimista, negativista. Sempre vista como rabugenta, irritadiça, crítica demais, de temperamento difícil? Que reclama até da sombra e vive de cara fechada? Dizem que tem o “gênio difícil", “ele é assim mesmo”, “é da sua personalidade”.

Pois bem, esse tipo de pessoa pode estar sofrendo de Distimia ou Transtorno Distímico.

Distimia é uma espécie de depressão crônica, entretanto, não possui os mesmos sintomas de um Transtorno Depressivo Maior. Seus sintomas são mais leves, mas se enquadram nos Transtornos de Humor.

A Distimia tem natureza crônica e a pessoa tem um humor depressivo leve a maior parte do tempo, não encontrando prazer e alegria em quase nada, nada está bom, sempre se escora em um lado ruim em praticamente tudo.
A irritabilidade é o principal sintoma, o mais característico.
O Distimico não paralisa a sua vida como em uma depressão, ele a vive continuadamente e pode nem se sentir triste, porém, está sempre reclamando e se queixando. É a caricatura da famosa hiena “Hardy Har Har” e seu inesquecível bordão “oh dia, oh céu, oh vida, oh azar”.
Os Distimicos somam de 3% a 6% da população mundial, sendo que no Brasil existem entre 5 a 11 milhões de pessoas que possuem esse transtorno. É um número expressivo para um transtorno que pode se iniciar na adolescência, antes ou depois dela.

Por trás daquela pessoa amarga, agressiva, implicante, que está sempre triste ou na “fossa”, pode haver uma pessoa Distímica. Há todo um comprometimento da sua vida pessoal, familiar, profissional e social.

O diagnóstico é difícil, sendo necessário muita atenção para estabelecer o diagnóstico da Distimia, já que ela se confunde bastante com a depressão. É comum os distimícos procurarem ajuda médica somente quando uma depressão se instala – o transtorno depressivo é sobreposto.

Segundo o CID 10 (Código Internacional de Doenças)... “A característica essencial do Transtorno Distímico é um humor cronicamente deprimido que ocorre na maior parte do dia, na maioria dos dias, por pelo menos 2 anos. Os indivíduos com Transtorno Distímico descrevem seu humor como triste ou "na fossa". Em crianças, o humor pode ser irritável ao invés de deprimido, e a duração mínima exigida é de apenas 1 ano.”

Eles se rotulam como incompetentes e incapazes: “Sempre fui assim mesmo”; “É assim que eu sou”. Durante o período de 02 anos, se houver um intervalo sem quaisquer sintomas, estes não ultrapassam os 02 meses. Há outros critérios que são analisados, como por exemplo, excluir os casos de incluam o Transtorno Depressivo Maior, Episódio Maníaco, Hipomaníaco, uma condição médica, entre outros.

Na idade adulta, as mulheres estão duas a três vezes mais propensas a desenvolver Transtorno Distímico do que os homens. Falta de apetite ou apetite em excesso, insônia, sentimentos de falta de esperança e cansaços constantes também são traços significativos que se unem a outros sintomas.

As comorbidades aparecem de forma elevada na Distimia, e as mais comuns são a Depressão Maior, abuso de drogas ou álcool ou Transtornos de Ansiedade. O que difere a Depressão Maior da Distimia é que na primeira, a pessoa estava bem, vivendo de forma tranqüila e de um mês a outro, cai em desânimo, indisposição, diminui a vontade de viver. Os depressivos, depois de medicados, conseguem retomar suas atividades anteriores, mas os distimicos sentem maiores dificuldades em se restabelecerem. A medicação reequilibra o distúrbio biológico, mas como “sempre foram assim”, não sabem o que é ter um humor normal, e por isso a terapia é de fundamental importância a eles, possibilitando novos aprendizados para obter um comportamento emocional adequado.

Tanto na Depressão quanto na distimia, a conduta terapêutica é a mesma, necessitando do tratamento medicamentoso com antidepressivos e terapia. Os melhores resultados são obtidos com a farmacologia e a terapia. Isoladamente ambos não alcançam a eficácia desejada.

Irritabilidade, impaciência, negativismo contínuos não são traços de personalidade. São sintomas que precisam ser avaliados adequadamente.

Lembre-se que ela pode acometer também crianças e adolescentes, e estes geralmente se mostram ranzinzas e irritáveis, e também deprimidos, podendo ter baixa autoestima (adultos e idosos também), com fracas habilidades sociais e pessimistas. A Distimia pode se esconder em um comportamento anti-social, agressividade, baixo rendimento na escola.

A terceira idade também pode ser acometida de distimia. Diversos estudos mostram que na faixa etária com pessoas acima de 60 anos de idade a prevalência da distimia nessa faixa etária é alta. São mais de 17% para os homens e cerca de 23% para as mulheres. As queixas se revelam mais fisicamente.

Se você conhece alguém que está sempre irritado, com mau humor constante, que insiste em ver o lado negativo das coisas e está descontente com tudo há pelo menos 02 anos, avalie a necessidade de estimulá-lo a procurar uma avaliação médica, pois ele pode sofrer de Distimia, e sem ajuda ele não irá se enxergar, pois acha que é seu traço de personalidade.

Pense Nisso!

Forte Abraço!


Adilson Costa
Psicanálise & Terapia
Sexólogia - Terapia Sexual
Aconselhamento a Dependência Química


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