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04 abril 2013

Pessoas Problemas


Aguardava em uma fila e o inevitável aconteceu. Fiquei ouvindo a conversa entre duas pessoas e não consegui deixar de refletir e compartilhar com vocês o ocorrido. Por cerca de uns 15 minutos uma pessoa descrevia a outra a extraordinária e infindável lista de problemas que “outras” pessoas trazem a vida dela. Ela mesma não tinha problemas, somente os que as “outras pessoas criavam em sua vida”. Creio que ela não listou mais porque fora chamada... “próxima”. Também falou do problema de enfrentar uma fila.
Ter problemas todo mundo tem. Uns mais outros menos. Hoje pode não haver nenhum, mas amanhã pode aparecer outro. Não conheço ninguém que está isento dessa exigência da vida. Mas conheço muitas pessoas que adoram cultivar e buscar problemas e conflitos em sua vida, além dos naturais que escapam da nossa iniciativa.


Penso que os problemas fazem parte do pacote de estímulos, que busca, de alguma forma, despertar em cada um, uma demanda interior “adormecida”, mas fundamental para a sua harmonia e amadurecimento psicoemocional, aquisição de valores, aceitação da realidade, percepção e conquista de paz interior, elevação da autoestima, reflexões sobre o sentido da vida, pois assim que saem vitoriosos desse “embate de inteligência”, são essas e outras posturas que percebo, por exemplo, quando meus analisandos se empenham a resolver as situações que os angustiam é isso que faz seus olhos brilharem. Estão mais donos de si, confiantes, determinados, autônomos, felizes. Estão mais amadurecidos na sua estrutura psicoemocional.

Antes de continuar o assunto, quero explicar o porquê coloquei “embates de inteligência”. Simples. Segundo o Dicionário Houaiss – e qualquer outro que buscar – inteligência significa a “capacidade de compreender e resolver novos problemas e conflitos e de adaptar-se a novas situações”. Por isso, as pessoas quando conseguem resolver ou se adaptar aos problemas e conflitos saem conforme descrevi acima.

O ponto crucial e “divisor de águas” é usar a inteligência para discernir aqueles que são nossos e os que são dos outros; se há resolução a curto, médio ou longo prazo; como se adaptar e resolvê-los diminuindo seus possíveis danos; se o problema não tem solução, mas tem uma adaptação.

Há aqueles que, iludidos em si mesmo, vivem sob problemas e mais problemas, e sempre estão projetando nos outros problemas que são seus. Passam a vida transferindo as responsabilidades dos supostos problemas que os outros criaram, e na verdade não enxergam – ou não querem enxergar – que estão todos em si mesmo, frutos do seu narcisismo, egoísmo, autocompaixão, sentimento de inferioridade e incapacidade. Vivem na fantasia, adiando as resoluções que estão dentro de si, no seu relacionamento, na resolução de conflitos passados, na mudança de postura perante a vida, na postura adulta e não infantilizada. E continuam assim, desequilibrando-se intimamente, mesmo quando irrompem os transtornos psicológicos, as contínuas doenças somáticas que tentam fazer-lhes olhar para si mesmo. Continuam rebeldes, desanimados, imaturos emocionalmente, com ego inflado e infelizes. Há pessoas que adoram cultivar e sofrer com seus problemas ou dos outros. Nem resolveram um e já estão mergulhadas em outro, como atraídas inconscientemente. Se acordarem de manhã e não tiverem um problema, saem logo a caça de algum.

E assim caminham, acovardam-se ao enfrentamento e resolução dos seus problemas, ou pior, transferem-na para que outras pessoas – pais, cônjuges, deus, o acaso – possam solucioná-las.

O amadurecimento psicoemocional requer sempre a reflexão interna. Ser verdadeiro não significa sair por aí falando o que pensa – isso é falta de educação – mas estar em conformidade com a realidade, tanto exterior, mas principalmente interior.

Nas sessões com um analista, o sujeito desenvolve o autoconhecimento e a aprimoramento psicoemocional necessário para as percepções e fortalecimento interno necessários para transformar os problemas em soluções, erros em acertos, e assim viver melhor e mais feliz consigo e com o meio, não se permitindo mais ser o problema.

O sujeito amadurecido e verdadeiro consigo mesmo, quando defrontado com os problemas e conflitos que lhe servem para atestar e desenvolver a sua emocionalidade e  inteligência, a fim de divisar o farol de dias melhores, encara as situações com a naturalidade de quem tem a confiança e a capacidade de resolvê-los, sem mascará-las, projetá-las ou transferi-las. Quanto mais vai angariando experiências positivas, mais sente a paz e a felicidade que tanto busca.

É como dizia o filósofo.... "ema... ema... ema... cada um com seus problemas".

Pense nisso!

Forte Abraço!


Adilson Costa
Psicanalista
Sexólogo – Terapeuta Sexual
Aconselhamento a Dependência Química
Palestrante

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