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23 maio 2013

Autoestima no trabalho


A cada dia o ambiente corporativo tem se tornado uma “selva de leões”. A urgência – e cobranças – em se atingirem metas e ganhos financeiros tem colocado as pessoas no limite, frente a competitividade das organizações.

Somente o exercício do trabalho engendra grande demanda física e psíquica por parte do trabalhador, e o acréscimo das exigências da vida profissional contemporânea; a pressão por produtividade, unindo-se a necessidade dos bons relacionamentos, frente a um chefe autoritário; a deficiência de reconhecimento profissional; a atualização e aperfeiçoamento, a “falta” de valorização financeira; a cobrança dos clientes; um ambiente de trabalho conturbado com colegas de trato difícil, por vezes preguiçosos; as fofocas sabotadoras; o assédio moral,;boicotes, e outros que lhe vieram a mente, tornam o exercício ainda mais complexo.

Haja autoestima!
Mesmo com as empresas investindo na profilaxia das doenças físicas e psicológicas, elas ainda se mantém em crescimento como maiores causas do afastamento do trabalho. Mais do que as doenças físicas, as conhecidas doenças emocionais são o “top” destes, pois as doenças físicas acabam se transformando – ou já eram – em doenças psicológicas. Os desgastes das performances profissionais se alargam em estresse, quadros depressivos, dependência química, burnout, quadros de ansiedade, angústias, e outros, que correm soltos nas empresas. Conjunto clássico básico de excesso de trabalho, pressão por resultados e baixa autoestima dos funcionários.

A autoestima é uma avaliação que se faz de si mesmo; o conceito que se tem sobre as qualidades e imperfeições, sobre os erros e acertos; a forma de falar; a aparência física; a forma como cada um se cuida; o respeito ao seu valor pessoal. É sobre o bom e belo que cada ser humano possui.

Ela interfere diretamente na produtividade, no desempenho profissional, na saúde e nos relacionamentos pessoal, afetivo, familiar e social das pessoas.

Autoestima é a janela com que olhamos para o mundo interior e exterior. É o segredo para o seu sucesso ou fracasso como pessoa, a realização de seus sonhos, a sua felicidade. Ela reflete o que pensamos sobre nós, sobre a vida, nossas crenças, nossas convicções, nossos paradigmas. Por exemplo, se uma pessoa tem uma visão ou sentimento negativo ou depreciativo do mundo, na realidade ela está expondo o que pensa de si mesmo. Isso é apenas um reflexo do seu mundo interno, da sua autoimagem, da sua autoconfiança, e principalmente da autoconsciência de si mesmo!

O mesmo exemplo pode ser aplicado ao trabalho que exerce. As definições de seu trabalho, atitudes, como se relaciona com as pessoas também refletem como ela se sente intimamente. Mas você pode estar pensando que conhece pessoas que tem alta autoestima no trabalho. Será? Creio que possa ser uma autoestima mascarada. Aliás, uma alta autoestima já mostra uma desarmonia – não gosto da palavra equilíbrio em questões psicológicas, porque equilíbrio é algo que sustenta a condição de termos de estar sempre compensando algo para equilibrar forças opostas que sugere a busca igualdade, e esta igualdade nunca irá existir. Enquanto a harmonia reflete esse pensar simbólico de encontrarmos beleza e agradável sensação entre as ambivalência que vivemos – o ideal é ter uma boa autoestima, nem mais, nem menos.

Na autoestima mascarada a pessoa “tenta” mentir para si mesmo, pois se ela precisa se comparar a alguém a ponto de diminuí-la, postar-se com arrogância ou prepotência, competir – em qualquer sentido – fazer comparações com um ou outro, então sua autoestima não está boa.

Quem tem boa autoestima não necessita inflar seu ego através de reconhecimento, elogios, valorização; não usa de seu pseudo status, poder, cargo para se sentir onipotente, soberano; não sucumbe ou se torna agressivo com críticas; não se deprecia, se põe como vítima para obter ganhos secundários.

Quem tem boa autoestima se respeita, tem confiança, tem autoimagem realista e, principalmente, tem autoconsciência (autoconhecimento). Esses são os pilares fundamentais da autoestima que se pode – e se deve – desenvolver no mundo corporativo e em todas as outra relações.

A autoestima é formada principalmente na infância, mas ela não é inflexível, ela pode ser mudada, mas não se muda a autoestima com uma promoção, um aumento de salário, um curso de MBA, uma pós graduação, um mestrado, uma lipoaspiração, uma “siliconada”. Na realidade pode mudar, mas é temporário, superficial, pois a sua essência não mudou; as mudanças são externas e não internas.

Melhorar a autoestima requer um trabalho barulhento de revisão e mergulho nos padrões de comportamentos equivocados que fomos assimilando em nossa vida e que se inicia nas falas e atitudes de nossos pais, familiares, professores (as), amigos (as), namorados (as), chefes, nos traumas, nas fantasias que criamos, e norteiam o que pensamos a nosso respeito, mas sempre sobre a ótica do outro sujeito. E se você quiser observar agora, utilizou-se disso sua vida inteira.
Não! Acho que você não vai querer isso. É melhor continuar assim com buscas externas, sempre tentando compensar e acreditar que a responsabilidade é dos outros por sua infelicidade nesse trabalho entediante e estressante ou pelo seu insucesso profissional por estar trabalhando em algo que não suporta; por ter que tomar diversas medicações para segurar o “reggae” da loucura que sua vida se tornou nessa “selva de leões”; pelo seu insucesso nos relacionamentos afetivos atraindo sempre mais do mesmo “tipo” destrutivo; por você se sentir a última bolacha do pacote... só o farelo;  

Ops!!! Esse é um texto sobre autoestima no trabalho!!! Você tem razão, mas deve ter percebido que uma coisa se liga a outra, que se habitua nesse e se ramifica no outro.

A base da autoestima é formada na infância. Detectar e elaborar as influências perniciosas dessa fase é o início do caminho de mudança. A primeira noção para a formação da autoestima é o olhar que os tem sobre a criança e a forma com que cuidaram e o que disseram sobre você. Se a superproteção sufocou sua autonomia e hoje há dificuldades em fazer escolhas e assumir a responsabilidade pela sua vida; se tudo que você fazia era motivo de crítica e repreensão e você cresceu inseguro e sem confiança; se a falta de elogios e incentivos fez você achar que não tem valor; se a disciplina rígida e autoritária fez com que você se tornasse submisso e não consegue expor suas idéias; se a educação agressiva moldou em você defesas automáticas e também agressivas de se relacionar; se a ausência de afeto gerou um sentimento de abandono e solidão; e tantos outros tipos de educação equivocada, você pode mudar tudo isso, pois você cresceu, é um adulto e pode gerenciar e decidir o que quer fazer com os acontecimentos.

Aprenda a gostar de você, com suas qualidades e limitações. Use sua Inteligência e deixe de reagir e comece a sentir. Não se pode viver sem se avaliar, sem ter consciência de si mesmo. Estenda a consciência para entender os benefícios do seu trabalho em sua vida e personalidade. Trabalhe de corpo e alma, tenha curiosidade de aprender e se aperfeiçoar, principalmente emocionalmente. Tenha consciência da sua vida, dos padrões que se repetem, as crenças destrutivas. Use seu raciocínio!
Não se compare com esse ou aquele colega de trabalho. Não se compare com ninguém em sua vida. Somos únicos e incomparáveis. Faça o que é capaz de fazer ampliando seus limites dentro de seus valores. Sempre haverá pessoas em melhores e piores condições que você. Aprenda a desenvolver seus atributos e qualidades. Siga um bom modelo. Eu disse seguir no sentido de ter um alvo, não para ser como ele, pois você nunca será ele, assim também não é para invejá-lo ou depreciar-se. É no sentido de que se ele foi capaz de atingir essa condição, você também pode, mas no seu caminho e nas suas passadas.

Você não é perfeito. E até morrer não terá tempo de ser. Então pare de fazer fachada para agradar os outros e aprenda que todos os seres humanos, assim como todas as coisas neste mundo são ambivalentes, ou seja, se há a noite há o dia, se há a luz há a escuridão, mas nenhuma são perpétuas. Você tem suas imperfeições mas também tem suas qualidades. É a criança que quando houve “você fez isso errado”, acredita que ela seja toda errada. Hoje você é adulto e sabe que errou naquele momento e naquela situação, mas não é o tempo todo assim. Você acerta bastante também!

Confie! Confiança é a capacidade de perceber como você executa suas tarefas, suas capacidades. Não se acomode, sempre podemos fazer melhor, mas para fazer melhor, as vezes temos que mudar nossas estratégias usando nossa criatividade. Para isso pare de idealizar, de ter autopiedade, de ser a vítima sempre – e reflita o que ganha com essas posturas. Se fez algo e ninguém te elogiou, aprenda a se elogiar e deixar de buscar os elogios dos outros. Para desenvolver a confiança é importante aprender a terminar o que começou e fazer bem feito dentro das suas capacidades, e não tenha medo dos desafios.

Outra dica que posso lhe oferecer é a de buscar apoio e orientação especializada, pois as resistências e mecanismos de defesa interiores são maiores que imagina, por exemplo, como essa de achar que não precisa de ajuda, que ainda não é o momento, que dá conta sozinho, que o problema são os outros, que o investimento financeiro não vale pelas prioridades da sua vida em relação a sua saúde emocional e psíquica, ou mesmo que tudo que leu não faz o menor sentido. E também aproveite a chance de participar de cursos e palestras sobre o assunto e depois me escreva sobre suas mudanças.

Você é um ser único. Possui uma história única. Desejos únicos. E já está na hora de encontrar a sua autonomia, independência e assumir a responsabilidade pela sua felicidade.

Pense nisso!!!

Forte Abraço!!!

Adilson Costa
Psicanálise&Terapia
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