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25 junho 2014

Medo de namorar: viver de aparências

O medo de se vincular a uma pessoa e iniciar um namoro com intenção de permanência pode nascer por diversos motivos. Vou escrever um que ocorre com bastante freqüência e diz respeito a busca de relacionamentos rápidos e breves, que ao meu ver, pode esconder o medo mostrar quem verdadeiramente se é.

Vivemos atualmente em uma sociedade de aparências onde se dá enorme importância a imagem. Em todos os setores as pessoas se esforçam para “criar” uma imagem que passe segurança, credibilidade, juventude, qualificações, etc. Formam-se um padrão aqui e outro acolá e as pessoas se digladiam para atingi-los Há uma demasiada preocupação no sentido do que os outros irão pensar, da avaliação que será feita sobre a imagem que se exterioriza, e o quanto se pode beneficiar dela.

Tendo a aparência como um dos focos (tem o consumismo que abordarei em outro post), as relações entre também sofrem alterações. Muitas delas são marcadas pela superficialidade e brevidade. O que se busca não é conhecer o outro para estabelecer um vínculo afetivo, mas o prazer pelo prazer, a autoafirmação, a satisfação pessoal, marcada por extrema idealização de si mesmo.



O que há por detrás disso? Muitas vezes é o medo em ser descoberto intimamente, de se conhecer a intimidade da sua identidade por detrás da capa, ou melhor, da imagem que é vendida aos demais. Ou seja, a imagem que se “vende” não condiz com a realidade interior da pessoa. Ela supervaloriza ou cria um conceito de si que está longe de ser quem ela é.



Essa postura tem transtornado os relacionamentos afetivos promovendo o medo vincular, tendo em vista que se iniciar um vínculo com alguém, a convivência diária se incumbirá de derrubar e contradizer a imagem anterior. Para não ser “desmascarado” é melhor não estabelecer um contato maior, ficando apenas na superficialidade da relação, a fim de manter as “aparências”. Se perceber ou começar a ser cobrado para ter uma proximidade maior, o medo se instala e a fuga é certa.

Em uma relação, o vínculo é construído pelo contato diário, que favorece a intimidade emocional entre os envolvidos, e assim cada um vai gradativamente estabelecendo a confiança para se mostrar ao outro como verdadeiramente se é, já que na fase inicial é comum mostrarmos somente as nossas qualidades e virtudes, buscando a aceitação e o reconhecimento do ser amado. Se continuar esse contato as discordâncias e contradições se evidenciarão. Os caracteres frágeis e imperfeitos da personalidade não poderão ser escondidos ou camuflados. Dessa forma a imagem ideal que fora projetada ruirá e acabou o sucesso da “azaração”, pois ninguém gosta de comprar “gato por lebre”.


Obviamente será bem difícil comer um kilo de sal com a pessoa. O medo de ser rejeitado, abandonado, não se sentir amado, valorizado e ter reconhecimento serão mais fortes, e se afastará da relação com as desculpas mais esfarrapadas, na maioria das vezes. A pessoa vive em um “avatar” para esconder sua insegurança, ansiedade, confusão, autoestima baixa, personalidade difícil, egoísmo, narcisismo, incompetência emocional, princípios e valores mesquinhos. 

Então, a pessoa tem uma relação superficial e interpreta este ou aquele papel de acordo com as suas necessidades, e assim sempre sai bem na foto.

A falta de consciência de si mesmo e a necessidade de gratificações imediatas, aliadas a um narcisismo, leva a esse comportamento hipócrita. Não consegue renunciar a si mesmo em favor do outro, o que leva ao abandono de si mesmo. É um tiro no pé, já que joga contra si mesmo, levando-o a perda do futuro. Crê estar livre quando na verdade se aprisiona em quem ele mesmo não conhece.

Quando se desenvolve a autoconsciência e autorespeito, desenvolve-se a convicção e a segurança de que devemos ser amados por aquilo que somos, jamais por aquilo que representamos ser ou que desejam que sejamos.

Pense nisso!!!


Forte Abraço!!!

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