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02 julho 2014

É “ normal” tomar antidepressivos, ansiolíticos, hipnóticos por muitos anos.

     A cada dia mais encontro pessoas que acham “normal” ingerir diariamente medicações para a insônia, depressão, ansiedade, estresse, ingerir bebidas alcoólicas diariamente. Não sei se fico mais chocado com a normatização da ingestão de medicamentos e álcool ou da banalização da sua própria saúde, da sua vida, no sentido destas não se importarem de tê-las como companheiras pelo resto da vida. Creio que com os dois. Falo de normatização, no sentido de ter se tornado algo normal tomar remédios para o resto da vida, e a banalização, no sentido de se banalizar tudo isso, a ponto de achar graça ou se tornar indiferente a melhora da sua saúde.

     A sociedade atual tem tornado a vida das pessoas excessivamente agitada, desordenada. A cobrança exímia dos diversos papeis sociais tem as submetido a situações que causam ansiedades, insônias, depressões, estresses, doenças psicossomáticas, alcoolismo, e tantos outros transtornos mentais catalogados em nossos códigos de doenças. O preço tem sido alto para se manter metas, padrões familiares, status, segurança, poder, lidar com a frustração e com o sofrimento (já) patológico. A servidão voluntária cobra o seu preço!

     E tudo isso é aceito como normal e é banalizado! É triste sentir na fala e nas expressões das pessoas essa falta de autorespeito, autoconsciência e autoestima.

     O que tenho visto é a busca rápida por soluções mágicas que resolvam os sintomas. E se avaliarmos, é isso que se esforçam todos para descobrir em todas as áreas da vida humana: o pó de pir lim pim pim. A causa?  Que causa? Não há tempo para ela. Tenho mecanismos de defesa que unidos a essa mágica, suportarei por mais um bom tempo. Não se pode parar para enfrentar as pendências, angustias, os problemas, o vazio, as frustrações, pois corre-se o risco de ficar para trás, se sentir fora dos padrões estabelecidos, por mais que muitos sejam desumanos.

     A medicação é importante e traz inúmeros benefícios ao quimismo cerebral. Em muitos casos, o psicoterapeuta não consegue auxiliar se a pessoa não estiver bem medicada. Mas o quero chamar a atenção é a essa normatização e banalização que avalio como uma fuga cega e alarmante das pessoas de si mesmas (exclua casos mais graves de transtornos, como a esquizofrenia e a bipolaridade – e dessa, exclua a bipolaridade que só ocorre no relacionamento afetivo, ops...) e buscando a medicação, muitas vezes como um “energético” diário, assim como muitos usam o álcool e as drogas, e outros tantos compensadores.

     As pessoas estão com medo de lidar com suas inseguranças, seus conflitos, suas frustrações, as angustias, a falta de controle, as desilusões, e tem se submetido – muitas vezes sem o necessário acompanhamento médico – ao uso de medicamentos de forma desequilibrada e prolongada em sua vida, ao passo que, se orientada a utilizar a psicoterapia de forma complementar ou em substituição ao medicamento (os manuais médicos, além desses dois oferecem mais duas formas de tratar pacientes quer não respondem a medicação, como adicionar novos remédios ao primeiro ou trocar a medicação), os resultados seriam outros.

    Se por um lado o tratamento medicamentoso é mais barato, principalmente com a entrada dos genéricos, por outro, a longo prazo, o custo tende a ser maior, levando-se em conta que as pessoas estão tomando ansiolíticos, hipnóticos e antidepressivos praticamente por 10, 20, 30 anos da sua  vida, sem experimentar nenhum outro tipo de auxilio complementar.


    E o que ela aprende sobre ela? Sobre como resolver seus conflitos? Como ser mais feliz? Nada! Ou melhor, aprende que terá que conviver com seu jeito “anormal” de ser, já que está condenada a tomar suas medicações diariamente para se sentir melhor. Mas o que a conforta é que tantos outros como ela também tomam, então está tudo certo.


       É nesse e em outros pontos que a psicoterapia acaba valendo o custo benefício. Atualmente as psicoterapias duram de alguns meses a um ou outro ano. Algumas têm breve duração e focam especificamente na queixa a ser resolvida. Em qualquer situação, a psicoterapia deveria ser colocada no centro de qualquer tratamento quando falamos de transtornos mentais.


     

A salvação nunca será a medicação, mas você mesmo. Por isso não se abandone ou desista. Você não precisa enfrentar tudo isso sozinho. 

     Pense nisso!!!

     Forte Abraço!!!

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